things change and so do we

Quando acaba um namoro, podemos referir-nos a essa pessoa como ex-namorado (embora deteste essa expressão), mas como nos referirmos a alguém que já foi nossa amiga ou amigo, e que actualmente já não a consideramos assim? Existem as pessoas que conheço, as que são minhas amigas, e outras, as mais próximas de mim, que considero os meus melhores amigos. Contudo, como categorizar uma pessoa que já foi nossa amiga, mas em quem já não confiamos, não falamos regularmente, ou simplesmente, alguém de quem nos afastámos? Volta a ser apenas uma conhecida?

Estas coisas voltaram à minha cabeça depois de ontem ter ido almoçar com rapariga que conheço desde que tinha 10 anos. Fomos as melhores amigas até perto dos 15, e mesmo quando por volta dessa idade mudei de casa, de escola e de vida, ela nunca se esqueceu de mim. Mais tarde fomo-nos afastando, porque não gostei de algumas das suas atitudes e talvez ela também não tenha concordado com algumas das minhas escolhas. No entanto, duas ou três vezes por ano voltamos a combinar um almoço ou um café. Ao principio fico entusiasmada quando recebo uma mensagem dela a combinar alguma coisa, mas quando nos despedimos e vai cada uma para seu lado, fico com uma sensação estranha. Acho que quando estamos juntas falo, falo e falo, e ela se limita a ouvir e a contar algumas coisas banais. Sou eu que faço conversa e que me interesso em perguntar coisas sobre o seu curso ou assim. Mas fora algumas pessoas que conhecemos e os momentos que partilhámos quando éramos mais novas, não me parece que tenhamos muito em comum.  E por achar que posso dizer alguma coisa que, indirectamente, tenha a ver com a vida dela e que a possa ofender, estou sempre a pensar no que hei-de dizer - parece que estou a pisar terreno minado - ao contrário das conversas espontâneas que tenho com outros amigos.

Se nos tivessemos conhecido hoje, seríamos amigas? Talvez à primeira vista, não. No entanto valorizo as pessoas que em determinado momento significaram muito para mim. E mesmo que nem sempre tenha sido assim, hoje em dia faço um esforço para estar com elas. Mas por vezes parece que se combina alguma coisa na esperança que tudo volte ao que era, o que não se verifica. Faz-me por isso sentir que estou a "cumprir calendário" e que estamos a fazer um frete em estar ali.


never trust a hairstylist


Até consigo perceber que a minha cabeleireira e eu tenhamos diferentes perspectivas sobre os centímetros que são aceitáveis cortar num cabelo comprido. Mas se há coisa que odeio ver em mim é cabelo "escadeado". Não, num cabelo que fica ondulado - sim, nem encaracolado, nem liso, é mesmo com uns jeitos esquisitos - o escadeado faz lembrar o cabelo da Fátima Lopes nos anos 90, curto à frente e comprido atrás. Está bem, não tão exagerado, mas mais assim. Não gosto, não consigo fazer tranças bonitas, nem rabo de cavalo (ficam sempre uns rebeldes a apontar em todas as direcções), não me dá jeito.
Sabendo isto tudo, só de ouvir a palavra "escadeado" com uma tesoura perto do meu cabelo, devia soar uma espécie de alarme. Mas quando a cabeleireira me disse "ah é só para cortar a direito!? E um escadeado nas pontas?", encolhi os ombros. Ora toma, ficas a saber que as pontas, num cabelo deste comprimento é mais ou menos ao nível do queixo. Enfim, agora que o mal está feito, que se lixe, não quero saber do meu cabelo até que cresca outra vez. Posso sempre adoptar um novo slogan super original: layered hair, i don't care.

people need to calm down

Toda a gente, pelo menos uma vez na vida, já foi julgada por coisas tão parvas como o sítio onde vive ou a escola onde anda. Where some examples. Se vivem em Almada, "ganda" deserto a margem sul. Se são de Cascais são ricos. Se vivem numa terrinha têm uma mentalidade fechada. Se vêm do Porto só dizem asneiras. Se estudam medicina não têm vida. Se estudam enfermagem é porque não conseguiram entrar em medicina. Se estão em informática são nerds. Se estudam num politécnico é mais fácil. Se estão numa privada, o pai pagou-vos o curso. And so on.

Também eu já fui influenciada pelo que ouvia e eu própria também já disse alguns destes "mitos" como se fossem verdades concretas. Mas percebi que todas estas estas generalizações, para além de estereótipos totalmente rídiculos, ainda eram usados na maior parte das vezes para inferiorizar ou ridicularizar alguém. Por isso, acho que a melhor forma de acabar com estas tretas, é também pararmos de as dizer. Se nos custa ter que ouvir algo sobre nós que se baseia deduções sem conhecimento, também não deve ser muito agradável para o resto das pessoas. Por isso, muita calma nestas coisas, preocupem-se em orgulharem-se do curso em que estão e do lugar onde vivem. E se estão descontentes com isso ou têm inveja dos outros, que mudem. E isto também serve também para mim.


Hoje mostrei ao meu colega a ideia que tinha para um projecto que temos para fazer. Pareceu gostar e ainda sugeriu outras coisas que podiamos integrar na aplicação. Sinceramente, foi importante para mim ter a aprovação dele, porque há muito tempo que queria fazer algo do género, e acho que da maneira como eu gostava que ficasse ainda não existe nada por aí. Quero muito fazer este projecto, mesmo que dê mais trabalho do que fazer sobre um tema sugerido, mesmo que a nota no final não reflita tudo o que fizermos. I will keep you posted.

A perda

A primeira pessoa que perdi foi a minha avó. E logo a minha avó preferida, a melhor pessoa que conheci, que me protegia e tinha a maior paciência para aturar as minhas birras com a comida. Tomou conta de mim, do meu irmão e dos meus primos, que nem eram seus netos. Nunca o fez por obrigação ou por algo esperar em troca. Era genuinamente boa pessoa, como nunca conheci ninguém. E por tudo isto e muito mais, é quem mais queria que tivesse durado para sempre. 

A minha avó não sabia ler nem escrever. Pertenceu a uma geração em que as raparigas não eram sequer mandadas à escola. Ficavam em casa a cuidar dos irmãos, das terras e das lides domésticas. Ainda assim, estava muito à frente do seu tempo. Via todos os dias os telejornais e gostava de discutir as notícias que via com o meu avô. Não era retrógrada nem conservadora, nem perdia tempo a falar sobre a vida dos outros. Sei que gostava de ter estudado, assim como também sei que ficava contente quando lhe lia o correio ou lhe mostrava os ditados sem erros que tinha feito na escola. Ficava orgulhosa de mim até quando eu exibia, numa letra manhosa, que já sabia escrever o meu nome. E embora nunca no tenha dito - afinal, era muito nova para saber o que isso significava sequer - sei que sempre desejou que eu fosse independente, que estudasse e fosse mais longe do que ela teve possibilidade de ir.

Morreu de um momento para o outro. Numa hora estava tudo bem e íamos almoçar a sua casa para comemorar mais um aniversário, na hora seguinte toca o telefone a avisar que ela não estava bem e tinha que ir para o hospital. Só me disseram no dia seguinte, quando voltei da escola, que ela tinha morrido durante a noite. Lembro-me de chorar todas as noites, durante semanas a falta dela. E de pensar em todas as ocasiões em que ela já não ia ester presente, como no Natal ou quando fizesse anos.

Também nessa altura, alguém me explicou que para um novo bebé nascer, teria que morrer uma pessoa também. E isso, de certa forma, fez-me sentir que afinal havia um propósito, um motivo pelo qual a minha avó altruísta ter desaparecido tão cedo da minha vida. Para dar o seu lugar a alguém. E embora hoje não ache que isso funcione de maneira não linear, fico feliz por tudo o que me lembro dela, orgulhosa por ser neta de uma pessoa tão acarinhada por toda a gente e guardo tudo que me ensinou, em tão pouco tempo que estivemos juntas.

ain't nobody got time for that #2

Arrumar o ambiente de trabalho. GOD. NO. WHYY?? Sabem quando estão a fazer um relatório ou trabalho e é o salve-se quem puder, as imagens, gráficos, programas e testes, tudo guardado e instalado à pressa no ambiente de trabalho porque - como dizia Camões e não sei como me lembrei disto agora - valores mais altos se alevantam? É assim que funciono. Não consigo perder nem um segundo a criar uma pasta, ou a navegar entre pastas para colocar as coisas no sítio certo. Fica tudo no ambiente de trabalho. E quando se acaba o trabalho? Bem, em vez de organizar a balbúrdia, toda a confusão vai para uma pasta, ironicamente denominada "organizar". Essa pasta funciona como uma espécie de armário onde se esconde a desarrumação da casa quando vêm visitas inesperadas, de maneira a que fico igualmente assustada quando a abro e vejo a quantidade de tretas que tenho por ali. Dá vontade de a mandar de uma vez para a reciclagem, mas provávelmente estaria eliminar alguma coisa que vou precisar um dia, por isso vou deixando a pasta descansar num canto do ambiente de trabalho. 

Porque é que não sou uma pessoa "informáticamente" organizada nestas coisas? É que até tenho paciência para colocar as fotos em pastas por tema e época, e as músicas por géneros e artistas, mas cenas random da faculdade, não, não tenho tempo para isso. Até estou a pensar em criar uma pasta "organizar2", tal é a confusão que reina na sua antecessora.

"bolinhos, bolinhos"

Na minha terra, no dia de todos os santos, não se pede "pão por Deus", mas sim "bolinhos, bolinhos, à porta dos santinhos". Ao qual nós acrescentámos "se não nos derem bolinhos levam com farinha no focinho". Adoráveis, eu sei. Mas não é por isso que escrevo hoje. 

Só tenho boas recordações desse dia. De juntarmos um grupo (normalmente os meus primos e o meu irmão), levantarmo-nos cedo e ir casa a casa pedir bolinhos. Mas ao contrário do nosso pedido, o que recebiamos mais era dinheiro, rebuçados e gomas, embora houvessem alguns vizinhos que nos davam os bolinhos tipícos deste dia: pão doce com nozes e passas. E divirtiamo-nos realmente a pedir os bolinhos, a pensar nos melhores percursos, a que casas ainda conseguíamos ir de manhã ou que teríamos que regressar à tarde, e no final do dia, a contar tudo o que tinhamos no saco de pano e a dividir os ganhos por igual. 

Tenho pena que hoje em dia nenhum dos putos mais novos façam isso. Que a tradição tenha acabado por agora, e que tenhamos sido a última geração a fazê-lo. Não existem tantos miúdos na terra como antes, e os que lá vivem não se juntam nos outros dias como nós fazíamos, por isso talvez não faça sentido o fazerem nesta altura. Gostava de ter hoje o papel de "vizinha" e ter qualquer coisa para dar a quem tocasse à campainha, mas as coisas são como são. Contento-me por ter passado por essa tradição.