Cheerleading


Há pessoas que parecem cheerleaders de alguém, mas não num bom sentido. Refiro-me ao tipo de gente que, por muito incomodada que esteja com alguma coisa, não tem coragem de o dizer, ficando a remoer por dentro. Mas o pior é que nunca fica por aí. Ficam a remoer e começam a picar outra pessoa para que esta fale por ela. Fazem o trabalho das meninas dos pompons, apoiam uma espécie de team que existe na cabeça delas e motivam confusões que à partida nem teriam importância. Numa situação de confronto, é quem fica lá atrás a dizer "dá-lhe, dá-lhe" mas se for enfrentada directamente, recua logo e diz que não é nada com ela. 

E isso irrita-me. Porque nunca ficam mal vistos. Porque é sempre outra pessoa a ter que se chatear e a dar a cara, e mesmo que depois também "mandem a piada", quem começou por falar e a chamar a atenção foi a outra. Chateiam-me porque tomam partidos e se metem em discussões e conversas que por vezes nem têm nada a ver com elas.

they're sisters, not twins

Outra coisa que me acontece em relação à maquilhagem (só mais esta, depois calo-me, juro) é a minha falta de jeito para a simetria. E isto manifesta-se quando estou a delinear os olhos (sem aquela ponta do cateye, que isso ainda era mais difícil) para o qual sigo o seguinte processo: 1. Faço num olho, fica aceitável; 2. Tento repetir no outro, e já faço um risco mais largo porque me engano; 3. Tenho que voltar ao primeiro olho para corrigir, mas também não fica com a forma igual ao outro; 4. De volta ao segundo olho, continuo a tentar fazer igual ao outro, mas nunca fica; 5. Ando nisto até ficar sem tempo ou desistir e olha, vai assim.

Claro que, volta e meia, nota-se que não está bem igual. Principalmente se alguém ficar muito tempo a olhar, então há um amigo meu que se sai com um "olha o da direita está um bocado mais grosso do que o da esquerda". Mas eu já estou preparada e respondo "é suposto serem irmãos, não gémeos!". O que o fez rebolar-se a rir, não percebo porquê. 

Gostava de reclamar a autoria nesta desculpa, mas a verdade é que repeti o que já tinha ouvido por aí num tutorial sobre como fazer as sobrancelhas: não é suposto ficarem 100% iguais, porque se começamos a tirar de um lado e do outro à procura de simetria, no final parecemos a Elfie. Assim simples, sisters not twins.

E ainda eu não me aventuro no respeitável mundo do delinear as sobrancelhas, ou do blush e contornos da face. Aí sim, poderia dizer que não me decidi de manhã e fiz duas makeup's diferentes em cada metade da cara. 


Damn you Laurenzinha, "olhem para mim só com uma mão".

(mini) ataque de pânico


Não uso maquilhagem todos os dias , mas de vez em quando acordo de manhã e apetece-me perder tempo com essas coisas. Exactamente por não usar frequentemente, às vezes esqueço-me que tenho eyeliner ou máscara e esfrego os olhos, só dando conta do estrago quando reparo que a minha mão tem uns inexplicáveis riscos negros (se alguém perguntar o que aconteceu ao meu olho borrado, respondo que quis fazer um smokey eye, e se isso não resultar digo que sou um panda fofinho, pode ser que passe).

Por isto já ter acontecido algumas vezes, agora também sofro do efeito contrário: esfregar os olhos quando não tenho maquilhagem, ter um mini ataque de pânico "damn it happened again!" e logo a seguir o alívio quando me lembro que não tenho nada. Como é linda a vida de gaja.

Transportes públicos: o detido

Sempre me questionei o que acontecia se ficasse nos transportes quando, numa paragem, se ouve o aviso "estação terminal, solicita-se aos senhores passageiros a saída do comboio". Mas nunca me passou pela cabeça ficar lá para descobrir (até porque o que costuma acontecer, pelo menos no metro no Cais do Sodré, é o mesmo voltar, passados 5 min, no sentido contrário).

Mas aparecentemente, para um grupo de miúdos que parecia ter uns 16 anos, o tempo que é dado para que toda a gente saia do metro não é suficiente, e só quando se ouviu o aviso de fecho de portas é que correram para a a saída. Ora, eles eram três e quiseram sair todos pela mesma, estando já as portas a fechar (com todos os passageiros já fora do metro, até porque foi assim que vi esta cena) o que resultou no último ter ficado lá dentro. Ainda tentou mandar a mochila para trancar a porta, mas depois deixou-se disso, porque tanto ele como os amigos pensaram que o motorista tinha visto a parvoíce deles, e que voltava a abrir as portas. Após um segundo de espectativa, percebi que isso não ia acontecer. O que eu me ri quando o metro começou a andar, com o rapaz lá dentro (primeiro achou piada, mas depois ficou com a maior cara de parvo de sempre) enquanto os amigos se rebolavam a rir também do lado de fora. Provávelmente foi só dar a volta ao terminal e voltou, ainda assim espero que o motorista tenha desligado as luzes das carruagens durante a viagem, só por causa das tosses.

"tão depressa o sol brilha, como a seguir está a chover"

 
[foto daqui]

Hoje venho perguntar se alguém se lembra de ter uma disciplina no 2º ciclo que se chamava Formação Cívica. Vou tentar procurar o meu caderno dessas aulas, para me lembrar de mais alguma coisa que tenha aprendido por lá e que agora não me lembre. Mas entre muitas coisas, posso falar de uma aula em que a professora dessa disciplina distribuiu folhas com a letra da música "Não há estrelas no céu" do Rui Veloso. E enquanto ficámos à toa com o sentido daquilo, a "stora" meteu a música a tocar. Já a tinha ouvido montes de vezes, mas nunca tinha percebido que era sobre a fase que estávamos a passar, ou prestes a passar: a adolescência. Frases tão simples como "Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho", "Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede, Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede" ou até "Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto, Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto" fizeram todo o sentido para nós, míudos de 10, 11, 12 anos. Essa música e levou-nos a fazer comparações entre nós e o rapaz da música, e ainda a falar sobre outras tantas coisas que sentíamos e que estavam a mudar em nós. Ainda sei a letra toda de cor, e continuo a achar que ainda descreve parte do que sou hoje, mesmo tendo passado 10 anos. 

Não sei se ainda existe essa disciplina, mas espero que sim. Isto foi só uma das coisas que aprendemos lá, não era um desperdício de tempo e gostávamos muito. Debatíamos imensos assuntos, e sempre achei que, aquela hora e pouco que estávamos ali, era um local onde podíamos dizer tudo, falar das nossas dúvidas, ajudar-nos uns aos outros e compreender coisas de "crescidos" que os adultos normalmente não se davam ao trabalho de nos explicar.

Team Lewis

Não ligo muito a Fórmula 1. Mas o meu namorado adora, aliás, gosta de tudo o que é desporto motorizado. E é daquele tipo de pessoa que tem uma paixão tão grande por algo, que até entusiasma quem não conhece esse mundo a ver também algumas corridas, e por vezes, até a gostar. E hoje não foi diferente. Era a última corrida desta temporada de F1 e iria ser renhida porque em disputa estava o título de campeão mundial, entre o Hamilton e o colega de equipa. Detalhes à parte, quis ver a corrida com ele porque iria ser interessante, e também porque temos que ser um para o outro. Ele também me atura nas compras e vai comigo a concertos que não lhe dizem muito, apenas porque gosto que venha comigo.

A corrida em si foi super fixe, mas ainda assim dormitei durante um bocado, admito. No fim, acabou por vencer o piloto que nós apoiávamos (GO Lewis Hamilton!) e também fiquei intensamente choramingas. O Hamilton é também namorado da Nicole Scherzinger, e são um casal super fofinho. Ela foi assistir à corrida, e ficou super emocionada quando ele venceu; notava-se imenso o quão feliz estava pelo conquista do namorado. E pronto, sou uma maricas quando vejo estas cenas. Para mim um namorado é mais do que alguém a quem damos beijinhos e andamos de mãos dadas (no sentido simplista da coisa). É a pessoa que está sempre ao nosso lado, quer se ganhe ou não. É a primeira pessoa a que se recorre quando existe um problema, é alguém que fica feliz pelas nossas conquistas, mostra orgulho e nos apoia incondicionalmente. É também quem sabe o que passámos para chegar onde estamos hoje. O Hamilton pareceu ter alguém assim, e eu sei que também tenho.

O Natal (aos 9 anos)

Quando era míuda, a época natalícia era sinónimo de vir a Lisboa. Vivendo numa aldeia no interior do país, vir a Lisboa era sempre um acontecimento feliz para mim. Era um fim de semana (às vezes mais uns dias) para visitar as lojas da baixa e ver as luzes de Natal, ir aos centros comerciais escolher os presentes para oferecer, passear de carro na marginal e ver os trabalhos que o meu pai andava a fazer naquela altura. Pode parecer uma seca, mas eu gostava por serem dias diferentes e mais agitados do que estava habituada. 

Lembro-me sempre dessa altura, e de um ano em específico, o ano em que saiu o primeiro filme do Harry Potter. Não me lembro se foi de propósito ou não, mas calhou ir à capital mesmo no dia em que estreava o filme. Uma amiga da minha mãe comprou os bilhetes (esgotaram num instante!), e vi o filme no cinema Londres. Foi o melhor presente que poderia ter tido. Eu era tão maluquinha por HP que até o livro quis levar para a sessão para ir acompanhando e vendo se apareciam todas as partes (o que, em boa hora, não me deixaram). Claro que não apareceram todas as cenas do livro, como é normal em todas as adaptações, mas o meu pequeno eu da altura não sabia isso. Por isso, quando acabou o filme, fiquei num misto de desilusão e de "no livro não é assim!", mas também feliz por ver as personagens que durante tanto tempo imaginei (como o Dumbledore ou o Hagrid) serem tal e qual como eu pensava. Lembro-me de explicar ao meu irmão - que era mais novo e ainda não tinha aprendido a ler - todas as partes que não estavam no filme e que, na minha cabeça, eram importantes. Passei a noite toda a rever o filme até adormecer.

Muitos natais passaram desde aí, e também muitas coisas mudaram. Mas uma tradição que se mantém desde esse ano é rever sempre algum filme do Harry Potter nesta altura.