one does not simply watch the movie before reading the book

Sou aquele tipo de pessoa que não vê um filme ou série - baseada num livro que queira ler - antes de ler esse mesmo livro. Nunca. Jamais. E amaldiçoo o dia em que isso acontecer (ok, já aconteceu, but i learn from my mistakes!). Para mim nada substitui aquela primeira leitura, em que se imaginam os lugares, as personagens, e até a história em si, de uma diferente do que aquela que, provávelmente, o filme mostra. E para além disso, também existe a vertente "spoiler". Se vir o filme ou série primeiro, já sei o que vai acontecer no resto do livro. E vai ser uma seca, porque não vou ficar naquela espectativa de querer saber o final e de não conseguir largar o livro, nem mesmo quando estou a jantar ou se, por acaso, até deveria estar a dormir. 

O filme antes do livro estraga-me a vontade de ler. Mesmo que depois digam, "o livro explica muito mais coisas" ou "vale a pena ler o livro, apesar de já saberes o final, porque há coisas que são diferentes" não vai ser a mesma coisa, por isso não me chateiem. Eu vejo o Game of Thrones quando tiver despachado os livros (e estive a contá-los hoje, são uns 10, por isso a minha previsão é que ainda será um processo demorado) e também não vejo Maze Runners sem ter lido sequer o primeiro livro (que está em espera a seguir aos 10 livros anunciados anteriormente). Eu sei, um bocado esquisitinha. Mas levo as leituras muito a sério. 


Birthday parties


Em conversa no outro dia "a marie vai ser sempre aquela miúda que não gostava de fazer anos durante as férias grandes porque não ia ter bolo na escola" e o engraçado é que nem nunca referi isso à pessoa que o disse, mas é verdade! Percebo que fazer anos nesta altura também seja um bocado chato (por causa daquela tendência que existem em "juntar" os presentes de aniversário e de Natal quando se nasceu perto dessa data), mas fazer anos durante as férias (nos meses de Julho e Agosto principalmente) é também uma grande seca. Tudo está fora ou prestes a ir para longe, eu própria nunca sei se onde estou por essa altura, de maneira a que chega o dia e yeeeii, it's ma birthday, we gonna party like... and it's gone.

Para além do bolo na escola, tenho outros ressentimentos! Na minha escola básica os aniversariantes era cobertos com farinha da cabeça aos pés. Também se cantavam os parabéns durante as aulas e todos os amigos e colegas estão presentes. Ohhh, era tão fixe. Porque tive que nascer nas férias, porqueêêê.

you never know a person until you walk a mile in their shoes

Quando tento colocar-me no lugar de alguém para tentar compreender as suas atitudes ou o que está a passar, lembro-me sempre de uma frase que ouvi há uns tempos - num filme ou numa música - que era qualquer coisa como, nunca conhecerás realmente alguém até teres que andar uma milha nos seus sapatos (numa tradução livre). A verdade é que tento, juro que sim, colocar-me sempre o lugar da outra pessoa. Mas raramente com sucesso, porque nunca consigo abstrair-me totalmente da minha maneira de pensar e ver as coisas. Nunca deixo realmente os meus sapatos.

Ontem quase não dormi, fiquei mal disposta, dei voltas à cabeça e imaginei mil e umas histórias sem sentido. E tive medo. Apenas porque alguém de quem gosto não me estava a prestar a atenção a que estou habituada, porque achava que as circunstâncias não eram normais e pensei que algo de mal estivesse a acontecer. Por isso, respondi torto e seco, e fui basicamente uma jealous bitch, algo que não considero que me caracterize enquanto namorada. Hoje, quando falámos, senti-me tão estúpida e sem lógica, que passei o dia a rir-me da minha figura e a pedir desculpa. Nunca tive motivos para me sentir insegura, para não confiar ou achar que algo pode mudar de um dia para o outro. E o facto de todas as coisas que me preocuparam a noite passada terem provocado nele muitos risos, ao princípio irritou-me porque pensei que se estivesse a rir da minha confusão, até perceber que o motivo de risota era também um misto de compreenção, do género "também já passei por isso, agora talvez percebas como me sinto nessas alturas". E é verdade, não gostei do que senti. Mas isso também me fez compreender o que passa alguém que está do outro lado da relação. Algo que para a outra pessoa pode não ter importância nenhuma, pode magoar o outro. A preocupação acontece porque quando gostamos muito de alguém e não queremos que nada de mal lhe aconteça. O medo de perder o que temos pode fazer-nos ser injustos com alguém que não merece. São princípios básicos, eu sei. São coisas que já devia ter percebido há mais tempo. Mas era algo que desvalorizava quando me tentava explicar o porquê de se sentir como sentia, porque achava que as coisas eram claras no meu ponto de vista e que não havia motivos para estar assim. Lá está, a compreensão vem também das situações em que estamos do outro lado.

cooking skills



Sou uma pessoa com capacidades culinárias limitadas. A minha mãe é uma boa cozinheira (em pratos que consido complicados e elaborados) por isso sei que não há motivos para não ser também uma grande pro. Mas não é isso que acontece. Basta saberem que a minha especialidade é massa, mais propriamente, massa com atum e natas. Em minha defesa tenho a dizer que fica mesmo, mesmo boa. Também sei estrelar um ovo. E fazer omeletes (uma dificuldade, eu sei). E... assim de repente mais nada, ou pelo menos mais nada de jeito.

Mas no que diz respeito a doces, sobremesas, lanches e afins, saiam da frente, I am a mastaaar! Sei fazer quase tudo e gosto de fazer, de experimentar novas receitas e técnicas. Acho que tem a ver com o interesse, quem não gosta de doces? Um dia a minha familia vai ser super docinha (e muito gordinha também).

como eu adoro o ver o karma a funcionar

Estas coisas dos jantares, seja de aniversário, de Natal, de empresa, ou do que quer que seja, só funcionam bem para mim de duas maneiras: ou alguém paga tudo, ou cada um paga o seu. E embora não veja grande utilidade em restaurantes onde a bebida é à descrição, percebo que para alguns é bom e não me importo de ir (mesmo não usufruindo dessa "benesse"), porque se fossem a pagar a despesa de todo o álcool que lhes apetece beber, o jantar ainda lhes dava uma bela conta.

Estava eu a falar do karma, não é? Isto tudo para contar que há uns tempo, houve um jantar de aniversário onde a bebida não era à descrição, e o preço dos pratos era fixo (o restaurante era um rodízio). E estava mais ou menos definido que a conta seria divida por todos. Por isso havia aquele bom senso de, sei lá, não se esticarem muito nos jarros de sangria, até porque metade das pessoas não bebia. Claro que não foi isso que aconteceu, então há um chico esperto que pede umas quantas bebidas, de maneira a que, quando termina o jantar, já está para lá de muito contente. O pior foi na altura de dividir a conta, toda a gente encolheu os ombros e concordou que poderia continuar a ser para dividir por todos, mesmo que isso significasse pagar por coisas que não consumiu. Toda a gente concordou menos a namorada do chico esperto, porque isso não era justo, ela não tinha bebido mais do que um ice-tea, e não-sei-quê, nunca mais se calava com isso. Pensou que toda a gente tinha estado a noite inteira a mandar vir bebidas, e esqueceu-se que a única pessoa que fez isso foi o namorado. Mas que não fosse por isso então, cada um acabou por pagar apenas o que consumiu. O que valeu ao namorado uma despesa extra de mais uns 10 euros, que divididos por todos tinha ficado a um euro ou dois a cada um.

Boas notícias


Imbirro com o Super Bock desde que foi para o Meco. É daqueles lugares que me chateiam logo, é longe e ao mesmo tempo perto de Lisboa, por isso dá para vir dormir a casa e não faz sentido ficar no campismo. Depois havia a poeira, e a própria qualidade de som (diziam que) não era das melhores. Ainda ficava mais chateada com o SBSR porque, todos os anos, era confirmada uma banda que gostava mesmo de ver: primeiro foram os Arcade Fire, Bloc Party no ano seguinte, e no ano passado (a maior facada de sempre) confirmaram o Eddie Vedder. Depois de algumas dúvidas (porquê, primeiro no sudoeste, agora no meco, porqueêêê), acabei por não ir e ficou a certeza: se nem pelo Eddie fui capaz, então nada me faria ir.

Tudo isto para dizer que nem nem prestei muita atenção quando soube que Florence and The Machine vinha ao Super Bock. Era mais um nome para juntar à lista. Até ter percebido que o SBSR estava de volta a Lisboa, woohoo! E logo num sítio tão bonito como o Parque das Nações. Fico muito contente pela Florence, mas para compensar a sério os outros anos, poderiam voltar a trazer os Arcade Fire e o Eddie (ou, na loucura, os Pearl Jam).

Boyhood (2014)


Dad: [Mason Jr. bowls a gutterball] Alright, don't worry about it.
Mason: I wish I could use the bumpers...
Dad: You don't want the bumpers, life doesn't give you bumpers. 

Ainda podia falar do facto de o filme ter demorado 12 anos a ver a luz da vida - porque foi filmado com os mesmos actores desde 2002 -, ou de como é giro ver os mesmos miúdos crescerem ao longo do filme e a passarem por algumas coisas comuns a esta geração, como a espera pelos livros do HP ou as eleições americanas de 2008. Não tem uma história muito complexa nem com grandes "filmes", tem uma história bonita com uma banda sonora brutal.