No outro dia li algo que me fez realmente olhar para o tema da
fotogenia com outros olhos. Mas antes, uma pequena introdução. Sabem quando vos
dizem alguma coisa e vocês pensam, "ohhh, que simpático que este ser está
hoje... waaait a minute? Isso era um elogio ou era uma piada tão bem encapsulada
que nem me apercebi?". É disso que se trata. Faz-me lembrar quando estava na praia, em miúda, e o
senhor das bolas de berlim às tantas dizia "Quem é que me chamou
parvo?". Não me perguntem, também não sei porque raio dizia isto. Mas
uma vez, quanto o senhor voltou a repetir a frase, o meu pai disse-me "vês, está a chamar-nos parvos a todos, ora
ouve, quem é que me chamou (pausa) PARVO?". E pronto, a partir daí fiquei
sempre neste dilema, era um insulto a toda a gente na praia da Rocha ou o
senhor estava apenas a ser engraçado?
O mesmo acontece quando nos dizem "És tão fotogénica!". Ficamos
logo, oh stooop, não fiquei nada. Mas eis que começo a pensar “Fiquei bem nesta
fotografia? Isso é que admirar? Quer dizer que, ao vivo, I'm ugly as hell?”.
Pronto, agora vão também ter second thoughts como eu sempre que alguém disser
que são fotogénicos. E se ouvirem alguém elogiar outra pessoa desta forma,
também vão esboçar um sorriso cúmplice “I see what you did there”. Bem, pontos
positivos. Uma pessoa fotogénica, no sentido do insulto, ao menos nas
fotografias que um dia mostrar aos netos pode dizer, "vêm como éramos
precisos netinhos, que lindos que éramos". Afinal, são as fotografias que
perduram. Para os que não têm essa característica, não há como desanimar, ao
menos pode ser só nas fotografias que não ficam bem.