as saudades de andar de baloiço

Desde que me lembro todas as minhas brincadeiras de infância foram feitas perto de baloiços. No jardim-de-infância e até ao quarto ano, estava em todos os intervalos na fila para o baloiço. Nos parques infantis era a primeira coisa onde tentava andar se estivesse vago. Depois os meus pais ofereceram-nos um baloiço com três lugares e as nossas férias de verão começaram a ser passadas naquele cantinho com areia à volta. Entre tudo o que inventávamos para brincar existiam também as competições de baloiço: tentar ver quem chegava mais alto, quem conseguia chegar com o pé ao toldo que o cobria, quem se aguentava mais tempo suspenso nas traves que o sustentavam. E foram as melhores brincadeiras que podíamos ter tido, mesmo quando aterrávamos de joelhos ao saltar o baloiço em movimento.

No verão antes de entrar para a faculdade andei praticamente todos os dias de baloiço. E não foi um balançar daqueles em que apenas se está sentado com os pés no chão, foi mesmo andar o mais alto que pude, com o cabelo a ficar para trás no balanço para a frente, e a cair na cara quando se volta a balançar no outro sentido. Esse verão não foi propriamente o mais feliz que já passei, mas durante o tempo em que ficava a andar e a cantar Arcade Fire o mais alto que podia, não pensava em mais nada.

Nunca percebi o medo que os mais velhos tinham em andar de baloiço tão alto como nós, crianças, e agora que também sou "mais velha" continuo sem perceber. Mesmo trazendo mais nostalgias que outra coisa qualquer, continua a ser uma sensação boa. Principalmente se for feito da mesma maneira daquele verão.  

Rowling, I support your stuff

Bem, ainda estou em época de exames. E como sabem, é nesta época que as distrações tomam contornos gigantes e que tudo parece super interessante para fazer em vez de estudar. É mais ou menos algo do género, "devia estudar, but i gonna do that instead". Tudo começou quando há uns tempos descobri o maravilhoso mundo do pottermore (também numa outra época de exames). Fui selecionada para uma equipa, fiz alguns desafios de feitiços e poções (nos quais falhei miseravelmente) e depois deixei-me disso. 

Mas passado uns tempos, lembrei-me que um colega da faculdade tinha começado a ver os filmes do HP e disse-lhe para fazer o teste para ver a que equipa de Hogwarts pertencia. Então, e mais uma vez, procrastinámos a fazer o teste em vez de estudarmos. Sou uma má colega, eu sei, comecei esta brincadeira das equipas mas não fazia ideia que se ia propagar de maneira tão violenta. Porque esse colega não ficou contente com a equipa onde calhou (Hufflepuff) então convencemos mais gente a fazer também o teste para ver se dava tudo na mesma equipa. Só que também foram selecionamos para a mesma equipa. Nessa altura tínhamos quatro Hufflepuffs, então começámos a pensar que o teste devia estar viciado, o que levou a mais pessoas fazerem também o teste. Uma coisa levou à outra, e portanto a contabilização até agora: cinco Hufflepuffs, dois Gryffindor e dois Slytherin. You're welcome J. K. 

geek level: i like it so much that i like all the pages

Tenho uma "amizade" nesse maravilhoso mundo que é o fb, que por acaso está a estudar - não é bem mas dão algumas bases pelo menos - informática. Ora, eu sei que a pessoa já aprendeu C#, Java e SQL porque à medida vai dando essas matérias, vai colocando gostos nas páginas dessas linguagens. O que até é fixe, porque agora quando me encontrar com a pessoa podemos ser nerds e falar em código. No entanto, conhecendo a pessoa, sei que é mais do género "olha todas estas coisas para as quais eu não faço ideia para que servem".

coisas que demorei a perceber

Bons colegas não são necessariamente bons amigos, e bons amigos não se traduzem em bons colegas. Não gosto de o admitir, mas é a verdade. Ou pelo menos, é a minha verdade. Quando entrei para a faculdade comecei por fazer grupos com quem me dava melhor, e não com quem parecia ser mais trabalhador ou organizado. Nunca quis passar às custas de ninguém por isso tanto me fazia com quem ficava, mas se pudesse ficar com quem me entendia para além da sala de aula, melhor. Só que na prática não funcionou assim. E por incrível que pareça, o que correu mal não foi ficarmos calados quando devíamos refilar com alguém, apenas porque éramos amigos e não nos queríamos chatear com a pessoa. Até porque numa amizade também não deixo de chamar a atenção para algumas coisas e dar na cabeça quando acho que está errado. O que correu mal foi simplesmente não trabalharmos ao mesmo ritmo nem com os mesmos objectivos. Foi eu querer ajudar mais do que podia para que todos passássemos. E em alguns casos, foi também um problema de egos (entre os quais o meu): cada um achava que a sua maneira de fazer as coisas era a melhor e acabávamos por fazer cada um à sua maneira, perdendo tempo a fazer as mesmas coisas em vez de dividir trabalho.

Ao longo do curso acabámos por ficar com quem trabalhávamos melhor, ignorando em parte as relações de amizade que se têm nos intervalos e fora da faculdade. E sinceramente, no meu caso foi o melhor. Há pessoas com quem trabalho bem mas não me vejo a ter uma relação de amizade quando isto acabar. Seja por coisas que aconteceram e que tenho tendência esquecer, mas sem voltar a confiar, ou apenas por não me identificar com a pessoa. Isto revela-se até nas nossas conversas, se a maior parte das coisas que falamos for sobre as cadeiras ou trabalho, existe relação para além disso? Vou ligar a essa pessoa quando tiver um problema, ou não confio nela a esse ponto? Não me vejo de todo a forçar uma relação de amizade apenas por passarmos muito tempo juntos devido a sermos colegas de trabalho. É estranho mas é assim, entendo-me profissionalmente com pessoas incompatíveis comigo pessoalmente, e guardo comigo amigos com quem não consegui trabalhar.  

agora no final é que me dá para os sentimentalismos

O mesmo engenheiro sobre o qual fiz um post há uns dias disse-nos, numa aula de dúvidas, algo que me fez pensar nas razões pelas quais é importante gostar do que se faz, ainda mais quando se é professor. Nessa semana já tínhamos ido ao seu gabinete umas 209083 vezes (estou a exagerar é claro, mas fomos chatinhos sim) e ainda assim conseguimos ter dúvidas suficientes para ocupar mais de uma hora da aula de esclarecimentos que ele tinha marcado. Às tantas, como o engenheiro ia rodando de mesa em mesa consoante quem o chamava, um colega que estava comigo saiu-se com um "o engenheiro tem cá uma paciência para nos aturar, já deve estar farto de responder à mesma coisa umas 10 vezes". E qual não é o meu espanto quando ele se encosta na cadeira com um ar de felicidade de outro mundo (como quem vai contar uma história muito boa) e responde, "sabe, para mim isto não é esforço nenhum, eu gosto genuinamente do que faço, gosto de ensinar". E continuou a falar. Entre outras coisas, disse-nos que não imaginava a vida de quem se levanta todos os dias para fazer uma coisa de que não gosta. O que mais achei piada foi ele também dizer que havia dias em que chegava à sala de aula sem vontade nenhuma, mas quando começava a expor a matéria era como se o seu dia melhorasse: entusiasmava-se sempre com o que estava a dizer, mesmo que já desse a mesma cadeira há anos.

Fez-me sentir um bocado culpada por não ter aproveitado as aulas dele (como já tinha tido esta cadeira o ano passado, foram os muitos os dias em que não ia por ter outros trabalhos por fazer ou mesmo por não me apetecer) pois tenho a certeza que se na altura soubesse o que sei hoje, haveriam aspectos que entenderia melhor se ouvisse na aula. E mesmo não pensando desse ponto de vista, um professor que goste de ensinar merece ter alunos a quem dar aula e que saibam intervir de maneira a gerar uma discussão saudável sobre o assunto. É como falar de algo que gostamos muito com alguém, existem sempre coisas que queremos ensinar à outra pessoa, existe sempre algo que esperamos aprender de novo com outro ponto de vista.

Posso muitas vezes ficar desiludida com a faculdade que escolhi, com alguns colegas e até com o curso, mas algo de que não me posso queixar foram os professores que tive até agora. Podem não ser os maiores TOPs nem terem todos os doutoramentos que existem para fazer na área - até porque ironicamente, três professores que considero os piores do meu curso têm em comum, além da sua chico-espertice, os doutoramentos em a, b, e c que fizeram em universidades conceituadas - mas são professores que nos ajudam. São professores que estão sempre disponíveis para nos esclarecer dúvidas (e sem revirar os olhos num “isto é tão básico”), que fazem piadas para aligeirar as aulas e que no final da discussão de um trabalho ficam a falar connosco sobre temas tão distintos como o jogo do benfica ou as cadeiras que mais gostamos. Mais que um professor se virou para nós quando, concluímos a sua disciplina, e nos disse "bem, boa sorte, se algum dia precisarem de alguma coisa sabem onde é o meu gabinete". Estas coisas fazem-me pensar que apesar de tudo, fiz bem. Mais que não seja por ter tido o privilégio de ser ensinada por pessoas que nos queriam realmente ensinar, e não por um bando de nerds que apenas vê o facto de dar aulas como um meio de financiamento para uma das suas investigações, ou pelo estatuto que é, nas suas cabeças, darem aulas em determinado sítio. 

troca de fofices

Hoje enquanto estava a passear na zona onde moro, dou por mim no meio de uma discussão entre dois senhores que trabalham em restaurantes distintos, mas que são um ao lado do outro. Não sei o que se tinha passado (provavalmente um deles tentou angariar clientes para o seu restaurante em frente ao restaurante do outro senhor) mas o que achei piada é à diferença entre as "postas" que iam atirando. Onde moro tenho a impressão que o máximo insulto que se pode atingir é "você é baixo nível" e "você não tem educação". Na minha terrinha é mais "tu vai para a PIII que te pariu" ou "não vales nada seu PIII de PIII". 


Acho que depende das pessoas e não dos lugares, mas mesmo assim não consegui deixar de me rir ao imaginar os mesmos senhores a trocarem insultos à moda da terrinha.

o problema de ter começado a ler Game of Thrones este ano...

... é que toda a gente acaba, de uma maneira ou outra, por contar o que ainda não sabes. E também não querias saber, porque qual é a piada de ler pela primeira vez uma história que já se conhece? 

O problema é começares a falar disso com as pessoas que já estão bem à frente na história (ainda só vou no terceiro livro) e dizeres "ah gosto tanto de personagem X". E essa pessoa fazer aquele risinho que diz implicitamente "ohhoho, tu não sabes mas essa personagem vai morrer". É que nem precisa de dizer nada. Só a cara que fazem já é um spoiler em si. 

O problema é tudo parecer terreno minado; até nos lugares onde esperavas não existirem spoilers estes aparecem. É nos post's do 9gag que parecem inofensivos e afinal têm uma piada sobre a morte de um personagem (não bastava saber que o puto estúpido ia morrer, até já sei como à pala desta brincadeira, damn it), nos trailers sobre a nova season que deve começar daqui a pouco tempo (e que por razões óbvias, não quero ver), nas imagens que aparecem de forma random em todo o lado... 

O problema é que apesar de tudo isto não consegues parar de falar disso com as pessoas que conhecem a história. Mesmo quando chegas, toda contente, e dizes "Ai, gosto tanto da família Stark" e esse mesmo indivíduo responde "Ahaha, olha que não vão sobrar muitos". Dá logo voltade de mandar o livro à cabeça da pessoa. A culpa é minha, eu sei. Mas porque é que tive que falar? Porque é que por outro lado, não consigo parar de falar nisso?

O problema é que até a série - que inocentemente comecei a ver depois de acabar os primeiros dois livros - tem spoilers. Eu já li aquilo, já sei o que vai acontecer, e ainda assim existem partes que ainda desconhecia. Suponho que apareçam mais à frente nos livros, mas deve ter feito sentido revelar logo ali. E o resultado é que agora já sei a orientação sexual de uma certa personagem. Mas não devia saber porque isso era uma coisa importante que eu devia ter descoberto no livro para poder ficar chocada com o desenrolar da história. Agora não estou nada chocada e quando isso aparecer a minha reacção vai ser "big deal, conta outra que essa já sabia".

(até a procurar uma imagem para colocar aqui fui a medo e tentei não focar muito nas imagens para não descobrir mais spoilers)

Que saudades do tempo do Harry Potter em que lia à medida que os livros iam saindo e não tinha spoilers de ninguém sem ser daquele amigo geek que lia os livros em inglês.