stop giving crappy things

Há uns anos, quando houve um boom de Hello Kitties por todo o lado, deram-me uma mala rosa com a cara da tal gata. Eu tinha 15 anos e achava essa moda a coisa mais horrível de sempre (ainda acho, sorry). A mala em si até era gira, mas a tal gata... não. E acabei mesmo por usá-la sempre virada do avesso porque detestava o estampado na frente. Da mesma maneira, uma vez pedi à minha mãe que comprasse um cd das Las Ketchup (aserejé ja deje) para oferecer no Natal a uma amiga. Ora, se tivesse pensado um bocado, iria ver que a probabilidade de a minha amiga não gostar do presente era alta. Uma pessoa que ouvia Scorpions e Queen aos 12 anos provavelmente não ia achar piada a um cd que apenas tinha um hit e que provinha de uma banda com nome de condimento para pôr nas batatas fritas. Mas eu achei que era o máximo porque EU gostava e porque à minha volta todos andavam doidos com essa música. 

Eu sei que por vezes só queremos despachar presentes ou levar qualquer lembrança, mas não é preciso comprar a coisa mais cara da loja para agradar a alguém. E também não é bom comprarmos algo porque gostamos ou se está a usar imenso, para alguém que não liga nada ao que os outros vestem ou têm, e não vai apreciar o que vocês apreciam. Um presente não é algo que se dá para fazer os outros felizes? Então, é preciso perder tempo a pensar no que faz os outros felizes. Sei que é chato e dá trabalho, mas é muito mais compensador. No Natal recebi um postal totalmente personalizado de alguém com quem nunca falei pessoalmente mas que se deu ao trabalho de ler o meu blogue e ver os meus interesses. E posso dizer que foi o postal mais original que já recebi. Por isso, menos presentes da treta só para parecer bem que ficam a ocupar espaço em casa, e mais presentes fixes e originais para toda a gente. 

(Já agora, era fixe oferecerem-me um lembrador. Mas tal como o Neville, era provável não me lembrar do que me me esqueci.)

these days

Marquei uma viagem e encontrei o lugar onde ficar que, para mim, é o melhor de sempre. Fui à Futurália cheia de medo porque não tenho muito jeito para meter conversa com quem passa e no final acabou por ser o melhor desta semana. Spoilaram-me no metro. Comecei a correr (pouco ou nada, não é caso para grandes entusiasmos - ainda!). Arranjámos um orientador que por sua vez nos arranjou outro co-orientador. Descobri o Casey Neistat e agora só quero ser "ganda boss" a editar vídeos. Deitei-me tarde e dormi pouco. Adormeci todos os dias nos transportes para compensar. Defendi duas cadeiras finais e comecei o projecto final. Tenho a ideia que fiz e aconteceu mais do que isto mas a minha memória de peixinho vermelho não dá para mais. 


Ah, e hoje vou ver um jogo do Benfica com o meu irmão. Eu. Que do Benfica só conheço o treinador. E de futebol em geral, bem, sei o objectivo do jogo (ao menos isso).

igualdade. só que não.

Desde o 10º ano que pertenço a turmas em que as raparigas estavam em número muito inferior. Por isso sempre convivi mais com rapazes do que com raparigas, e talvez seja também a razão pela qual ainda hoje todos os meus amigos mais próximos são rapazes. Se esse facto fez com que deixasse de ser menos "menina" segundo os padrões da sociedade? Nop. Tenho muita maquilhagem, roupa a mais que acho nunca ser suficiente, you name it. Nunca senti nenhuma distinção entre homem e mulher, nem me senti inferior por ser rapariga. Só vi alguma diferença entre géneros quando fui para a faculdade.
Durante o meu curso tive maioritariamente professores. Tive, no máximo, duas professoras na área de matemática. E maior parte dos dias não noto diferença nenhuma na maneira como AS minhas colegas e OS meus colegas são tratados. Mas já ouvi algumas piadas de professores mal formados que acham engraçado (uma vez que a sua "audiência" é mais masculina do que feminina) fazerem piadas sem piada sobre o género feminino. Não vou falar de casos concretos, mas era algo como "perceber esta linguagem é mais fácil do que perceber as mulheres", ou afirmar que certa maneira de resolver um problema "é só mesmo na sua cabecinha de rapariga".
Também já ouvi alguns colegas duvidarem das capacidades de uma ou outra colega do meu curso, apenas por ser rapariga. Da mesma maneira, se alguma oportunidade extra ou benesse era dada a alguém do sexo feminino, era mais uma vez por ser miúda. Claro que neste último caso, haja quem faça o típico choradinho e se safe. Mas isso também acontece do lado dos rapazes, só que nunca é visto da mesma maneira.
Embora fique estupefacta com estas mentalidades, admito não me levanto logo da cadeira e começo um discurso sobre “a idiotice de algumas pessoas no século XXI”. Primeiro, porque não o vão ouvir. E depois porque (academicamente falando) uma nota na pauta consegue dizer um GUESS WHAT, BITCH! de forma mais eficiente do que qualquer conversa sobre a diferença entre géneros que não deveria existir.
Mesmo com algumas condicionantes e estereótipos, nunca me arrependi da área que escolhi. Acho ridículo escolher profissionalmente determinado caminho só porque as amigas vão, mas até eu fiquei reticente ao ver que no ano anterior à minha candidatura, apenas duas raparigas tinham entrado vs trinta e tal rapazes. Mas que se lixe se acham que uma rapariga não serve para informática, assim como um rapaz não devia ir para educação básica. Cada um vai para o que quer, enquanto pessoa, não pelo género. Não passou assim tanto tempo desde que entrei na faculdade, mas é bom ver que todos os anos, cada vez mais raparigas se candidatam a esta área. Inclusive, algumas das que entram conseguem ter melhores notas do que os rapazes (lá se vai a crença de que determinada área é melhor ou pior para alguém segundo o seu sexo).
E este foi o dia em que me apeteceu escrever sobre isso porque me lembrei que a pessoa que mais me apoiou na escolha do meu curso até foi um rapaz. O mesmo que me aparece com uma rosa todos os anos neste dia e em muitos outros, sabendo que me vou armar em parvinha e dizer que é piroso receber flores (mas depois derreter como manteiga ao sol). Não ligo ao dia em particular, agradeço a flor em si mas nunca digo “obrigado por me tratares bem” porque não há que bater palminhas a isso. O normal é uma pessoa tratar bem a outra, seja de que género for. De estranhar é uma pessoa tratar mal alguém apenas porque é de outro sexo, ou se achar superior e mais capaz tendo como argumento algo que a lotaria da genética lhe atribuiu.

"grandes vidas"

Não há muitas coisas que me façam despertar os meus instintos assassinos, mas uma delas é sem dúvida ouvir um sarcástico "grandes vidas" ou "viva o dinheiro" vindo daquele recalcado que não faz nada, mas também não pode ver ninguém  fazer ou ter nada. Neste caso nem foi comigo, mas ainda assim não deixa de ser uma das coisas mais irritantes que existe. O que cada um faz com o seu dinheiro é problema dele. Eu, por exemplo, acho que cada euro desperdiçado em fumos é estúpido. E mesmo assim não meto o meu bitch mode on e digo "uhhh, fumar é o mesmo que queimar dinheiro" sempre que estou perto de alguém que o está a fazer. I don't care. Não é o meu dinheiro. Há quem diga que não é bem assim, porque um dia é dos nossos impostos que vem a contribuição para pagar as consultas (de que provavelmente vai precisar) mas ainda assim, já vi dinheiro público desperdiçado em coisas piores. Continua a não ser a minha saúde nem problema meu.


afinal o problema não era do tubérculo, mas sim do agricultor

Depois da resposta que nos fez pensar o-professor-leu-a-proposta-ao-menos?, fomos falar com ele. Foi aí que tivemos a confirmação de que ele não tinha mesmo percebido o que queríamos fazer e ainda tinha "suposto" outros aspectos sobre a nossa aplicação que em nenhum lado estava escrito e que de qualquer forma não era (de todo!) o nosso objectivo. Também serviu para entender que a única coisa em que estavam interessados (visto que a ficar com este, tínhamos que ter também outro coordenador, pois eles só funcionam em conjunto) era em "vender" os projectos que eles mesmo tinham sugerido, ainda que não estejam relacionados com o que aprendemos durante o curso e para os quais nem temos bases. Portanto passávamos o semestre a estudar uma coisa nova, e onde ficava o espaço para fazer o projecto em si? Nem nós queremos fazer os projectos deles, nem eles quiseram compreender o nosso, por isso passámos à frente.

Foi a melhor coisa que podia ter acontecido. Devido à recusa anterior, decidimos ir ter com outro professor (já íamos no quarto!) que teria sido a nossa escolha mais lógica (uma vez que o projecto é totalmente a área dele) mas que tínhamos descartado desde do início pois tinham-nos dito que este semestre ele iria estar ocupado a acabar o doutoramento. Como não tínhamos nada a perder fomos falar com ele. O engenheiro foi um porreiro, explicámos-lhe a nossa ideia por alto e foi, desde logo, muito receptivo. Ainda nem tínhamos pormenorizado e já nos estava a dizer que podiamos contar com ele. Para que ele não pensasse que tinha sido segunda opção, dissemos-lhe a verdade: já tínhamos ido falar com outros professor, e não com ele porque como sabemos que está a acabar o doutoramento e pensámos que ele não iria ter tempo para gerir projectos. Ele só encolheu os ombros e respondeu que com organização tudo se consegue. Disse que iria já arranjar espaço para nos ajudar de modo a que pudéssemos começar o quanto antes a trabalhar.

Ficámos tão contentes que quando saímos da sala o meu colega começou a cantar "my milkshake takes all the boys to the yard" e eu comecei a bater palminhas como uma histérica. Agora são três meses: dois para desenvolver e um para fazer o relatório (segundo do professor de projecto, o que acho um bocado exagero). Tããão fixe.

agricultura

Bem, já recebi as respostas de ambos os professores. O professor de programação viu nossa proposta de projecto e disse que era bom mostrarmos iniciativa, mas infelizmente não pode orientar o nosso projecto pois já está a coordenar outros (cries inside). Fiquei contente por um professor com quem não falo desde que me deu programação (sem ser aqueles acenos amigáveis quando passa por nós) nos ter respondido tão prontamente e ainda nos ter oferecido ajuda, mesmo não pudendo ser o coordenador.

Em oposição, os outros dois professores a quem enviámos a proposta (e sim, o objectivo é serem os dois a coordenar) responderam hoje, e foi a coisa mais random de sempre. Imaginem que, no nosso projecto, queríamos fazer uma plantação de batatas. E para isso iríamos utilizar uma enxada como ferramenta. Eventualmente se tivessemos tempo, utilizaríamos também um ancinho (que não é necessário, era só para aperfeiçoar). Neste modelo exemplificativo, a resposta dos professores foi, mas olhem, sabem que já existem cenouras a serem plantadas com um ancinho...? Mas passem pela minha horta amanhã para falarmos melhor.

Alguém percebeu a ligação? Exacto, nós também não. Amanhã lá iremos passar pelo gabinete dos bacanos para ver começamos a falar dos mesmos tubérculos.

às vezes era bom


Não preciso que me dêem pancadinhas nas costas por tudo e por nada, mas bem, às vezes até era bom sentir que se orgulham de mim e me apoiam. O que acontece na maior parte das vezes - e que sempre foi assim, o já não me deveria espantar - é dizer "consegui isto", "tive esta nota" ou "quero ir a este lugar", e a reacção ser "ah bom, é a tua obrigação" ou "vais com o teu dinheiro". Obrigado, eu sei que sim, mas podiam ficar felizes por mim. Com o passar dos anos deixei de dizer o que quer que seja sobre o que consigo ou não consigo, pois a reacção nunca é aquela que espero: se corre bem, good for you, se corre mal, nem uma palavra de consolo ou motivação. Pelo contrário.

Há quem me diga que isso faz de mim uma pessoa mais forte porque parecendo que não, é sempre um murro no estômago. Só concordo com a última parte. E por não gostar da sensação, tento não fazer o mesmo a outra pessoa, embora por vezes caia no mesmo erro de desvalorizar aquilo que as pessoas que me rodeiam conquistam. Pode não ser grande um grande feito para mim, mas não vou deixar de dizer uma palavra de incentivo só porque a meu ver poderia ser melhor. Da mesma maneira não vou bater palminhas por todos os feitos que se fazem. Apoio sim, na medida certa. Nenhum apoio de todo é que não.