lately


Depois de muita pesquisa, muitos vídeos vistos sobre o assunto, reviews lidas, muitos "esta é a melhor", "afinal não, quero esta que tem mais isto", "esta era a que mais queria, mas não vou dar esse dinheiro por isso", achei, finalmente, a máquina fotográfica que melhor se adequa ao quero (e ao que queria gastar). Tenho andado todos os dias com ela na mala (é uma compacta) e para dizer a verdade, ainda não tirei muitas fotografias nem fiz muitos vídeos com ela. Pareço aquelas pessoas de mais idade que têm medo de carregar numa determinada tecla por pensar que vai estragar ou formatar o computador. No meu caso, não tenho medo de mexer na máquina, mas sim do produto final que pode não ser o que idealizei. E se não sai como quero? E se não usei os modos certos, ou se não sei a maior parte das coisas mais básicas e não estou a conseguir a melhor fotografia/filmagem que podia com o equipamento que tenho? E se simplesmente, não tenho mesmo jeito e mal-empregado-dinheiro?

Acho que como tudo o que acontece, ao ínicio sou horrível a fazer alguma coisa nova. Já devia saber isto porque é sempre assim, e acontece em geral com toda a gente. Mas até me espanto como, por vezes - na fotografia e não só -, uma ideia que parece tão boa, na execução é tão podre. Prefiro o espanto de quando é ao contrário.

old fashion instagram

Na altura em que ainda era uma adolescente florescente e como rede social só havia o hi5, existiam ainda outras duas plataformas das quais eu gostava: o blogger e o fotolog. O blogger toda a gente sabe o que é, enquanto o fotolog era uma espécie de instagram, mas apenas acessível pelo pc (na altura nem haviam telemóveis com wi-fi). E era tão fixe! Basicamente, cada pessoa podia publicar (acho que no máximo) três fotografias por dia, e cada fotografia costumava ter uma descrição em baixo (que usualmente era enooooorme pois muita gente fazia daquilo um blog). Por baixo da descrição era onde apareciam os comentários, e no lado direito havia uma lista das outras pessoas que seguiam esse utilizador e das pessoas que ele seguia. Isto aparentemente parece a coisa mais básica que existe, mas deviam ver a qualidade das fotos que os utilizadores portugueses colocavam por lá. Miúdas entre os 13-17 anos (que era a idade que eu também tinha) a fotografarem coisas com interesse (sem selfies ou coisa que o valha), sem imagens rascas de telemóveis e com cameras point and shoot (cuja qualidade não era a melhor na altura, mas era razoável) ou até com as mais profissionais DSLRs. Havia quem tivesse também as Lomo; essas revelavam as fotografias, digitalizavam e mostravam-nas na mesma. Não era tanto sobre a qualidade da foto em si, mas sim sobre a composição e das histórias que vinham com a fotografia.


Ainda hoje fico com a impressão de que já vi determinado utilizador do instagram em algum lado, e depois é que me lembro que sim! Essa pessoa também tinha fotolog quando era mais nova. Fico contente quando vejo que essas pessoas (algumas delas agora com contas instagram bem conhecidas) continuam a fotografar mais e melhor. E acho que para muita gente que tinha fotolog, o gosto pela fotografia começou aí. Não conheço muitos miúdos de agora que percam tempo a perceber como uma fotografia se tira ou que poupem uns trocos para comprar um filtro, uma lente mais adequada ou até uma máquina melhor (até acham parvo se gastar tanto dinheiro numa máquina fotográfica). Mas back in the good old days, era bastante comum, pelo menos no fotolog, falar-se sobre programas de fotografia, filtros (nas próprias máquinas, não nos programas de edição), discutir-se sobre as partes técnicas da fotografia que tinham tirado ou sobre o dinheiro amealhado para comprar determinado material. Claro que também se falavam de outras coisas. Era uma espécie de blog, mas em vez de ser a escrita o foco, era a fotografia que importava e o texto vinha em complemento (que por vezes nem estava directamente relacionado com a foto).


O meu gosto por fotografia, para dizer a verdade, nunca foi aquela paixão que me fizesse perder muito tempo a aprender os conceitos da mesma ou a querer desesperadamente uma máquina fotográfica. Foi mais um interesse que tive por também ter feito parte dessa comunidade e admirar esses utilizadores que fotografavam tão bem. E faz falta uma rede social assim. O instagram, no fundo, é parecido. Mas existe ali um intervalo entre o instagram e o Olhares (por exemplo) que era preenchido pelo fotolog. Não era demasiado informal como o instagram, no qual se mete um gosto e se passa à frente, nem  extremamente profissional e focado somente na fotografia, com o Olhares. Era na medida certa.

get over that sh*t



Quando duas pessoas de quem gosto namoram é bom por duas coisas: por eles estarem felizes um com o outro e por ter a certeza que me vou dar bem com a sua cara-metade (uma vez que já a conheço). Mas por gostar dessass duas pessoas, não gosto de os ouvir dizer mal um do outro quando as coisas se complicam e acabam. São meus amigos, não me interessa ouvir queixinhas do Manel sobre o tempo em que a Maria se deixou dormir em vez de estar com ele, ou até saber que a Maria acha que o Manel é demasiado ciumento. Até porque a minha opinião (conhecendo os dois lados) irá possivelmente não estar nem de um lado, nem do outro, mas algures no meio.

Os inconvenientes de haverem duas pessoas de quem gosto a namorarem é que, quando acabam, raramente se consegue juntar os dois de novo no mesmo lugar. Eu sei que nem todas as relações terminam com um "até logo" e cada um segue com a sua vidinha. Mas custa muito não tentarem obrigar os amigos dos dois a escolher lados? Dizer um rol de coisas que o outro fez (quando não fez nada de mal a meu ver) para que se veja que realmente o Manel é muito mau, "escândalo autentico querer conhecer os pais, uhhhh", não vai fazer com que eu veja o meu amigo pelos seus olhos. Da mesma maneira, é feio quando uma das partes se "chiba" de tudo e mais alguma coisa, quando para mais o outro lado não faz o mesmo e guarda tudo para si. A menos que seja algo muito grave (aí santa paciência, acaba-se logo o "entre marido e mulher não me mete a colher"), arrufos entre namorados existem sempre e são muitas vezes tão estúpidos e passageiros que nem eles se lembram. E se lembrarem, falarem neles tempos depois de estarem resolvidos apenas para mostrarem que têm razão por acabarem o namoro, é chato como tudo para quem está a ouvir.

Não escolho lados e não gostava que o fizessem se fosse comigo. Por isso deixem-se de tretas, gosto muito dos dois na mesma, vou continuar-me a dar bem com os dois. Mas não me venham fazer queixinhas por favor.

não saber o que vai acontecer

Quando tinha 18 anos, e com a entrada na faculdade, atingi um ponto de estagnação como nunca tinha acontecido. Fui daquelas pessoas que infelizmente ouviu a vida inteira do quão bom seria entrar, do quão mais fácil a minha vida ia ser se tivesse um curso. Digo infelizmente porque graças a isto grande parte do que sempre fiz foi estudar para o conseguir. E quando lá cheguei, bem, não soube para que lado canalizar os meus objectivos. Não sabia o que queria fazer a seguir e fui indo com a corrente, sem pensar que o tempo passa e que deveria, talvez, fazer outras coisas sem ser estudar. Há pessoas que estabelecem tirar a carta aos 18, acabar o curso, estar a trabalhar aos 23, ter carro e casa no passo seguinte, e uma vida estável lá para os 27. Isto era o que ouvia quando era miúda, porque hoje em dia o que mais se vê é que não é bem assim, por força das circunstâncias em que está o emprego, o país e tudo mais. Mas ao contrário dessas pessoas, eu não estabeleci nada para depois dos 18 anos. Não fiz planos. Tirei a carta porque calhou e ainda hoje não considero que tenha sido um grande feito. Agi como na expressão “go with the flow”, quase em piloto automático a partir daí.

Olho para trás e penso, como é que eu, aos 18 anos, não defini um plano de objectivos minimamente concreto? Não acredito muito no planeamento exaustivo (até porque quase nunca bate certo) mas deveria ao menos ter umas luzes do que havia de fazer e de ter. O mais irónico é que agora, aos 20 e poucos, também estou assim, sem grandes planos a longo prazo. Não penso casar-me ou ter filhos nos próximos anos e comprar casa parece-me um plano irrisório. Não penso sequer que quero trabalhar naquela ou outra empresa, acho que me interessa mais o que vou fazer enquanto profissional. Embora neste ponto, duvide de tudo, das minhas capacidades, do que aprendi, tudo agora me parece pouco e desadequado. Cada vez mais acho que não interessa ser expert em A ou B se como pessoa não se vale nada. As pessoas interessam-se cada vez mais pela componente pessoal mesmo que não se seja um trabalhador de mão cheia. A minha vida pessoal vai ser avaliada na hora da decisão de ficar ou não com um trabalho. E isso assusta-me um bocado, pois não sei se, como pessoa, sou assim tão importante ou interessante. Por isso acho que deveria ter feito outras coisas em vez que passar o tempo em transportes, na faculdade ou simplesmente, a fazer nada.

Sei que hoje tenho alguns (poucos) objectivos e todos feitos com base nos se's: se arranjar trabalho neste espaço de tempo, se ganhar isto, se as outras pessoas à minha volta agirem de determinada maneira, há um caminho a seguir. Mas se variar, mesmo que seja apenas numa destas coisas, o caminho já pode ter diferente. Daqui a uns anos também vou olhar para trás e pensar que deveria ter feito um plano mais concreto agora? Vou ter a mesma leve sensação de frustração que tenho hoje ao olhar para trás e pensar que poderia ter feito mais? Espero que não. Era bom que o meu eu do futuro viesse dizer-me que as coisas vão correr suavemente como têm corrido (com alguns tropeções temporários pelo caminho) e que vou conseguir dormir bem à noite todos os dias e acordar sem nenhum sentimento de perda ou arrependimento. É que mesmo sem planos, estou bem assim. Um bocado atrasada talvez, mas ainda com tempo para mudar se me enganar. Quase nada é ainda irreversível e gostava que fosse sempre assim.

Factos (pouco) interessantes


Há pessoas que têm problemas com travessões (ou ganchos, ou bobby pins): estão sempre a comprá-los e quando é preciso nunca encontram nenhum, como se fossem recolhidos por um buraco negro todas as noites. Também tenho esse problema, tanto que já me habituei a procurá-los não na gaveta onde deveriam estar, mas sim em bolsos de casacos, na minha carteira, até naqueles arrumos de lado nos carros onde ando. 

O pior é que este fenómeno estende-se, para mim, ao nível das canetas bic. São as melhores canetas de sempre para escrever (quem não gosta é um ovo podre) e eu compro daquilo em packs de seis ou mais porque são as minhas canetas preferidas e porque nunca encontro uma quando preciso. Devo ter mais de vinte canetas bic azuis espalhadas pela casa casa, e ainda no outro dia reparei que pelo menos dois colegas meus tinham também canetas bic dadas por mim, no entanto continuo a cometer o erro crasso de andar sempre só com UMA caneta bic no estojo, e muitas vezes ZERO perdidas na mala quando preciso. Isto é um flagelo. Acho que vou começar a espalhar as que tenho por todas as malas que uso (que são só duas, por isso nem há desculpa), por todas as divisões da casa, nos carros em que ando, enfim, por todo o lado como quem borrifa perfume.

what a nice way to say goodbye to a friend



Fui ver o Fast and Furious. I tried not to cry. I cried a lot.

shit happens

Este fim-de-semana estive com o meu primo e bolas, como é que o tempo passou tão depressa? Ainda ontem éramos dois miúdos a lanchar pão com paté caseiro nas férias, hoje já vamos de carro beber café e passamos o tempo a falar de coisas mais ou menos sérias, e tanto felizes como tristes. Como saí da terra aos 15 anos, o tempo para mim parou aí e às vezes ainda me esqueço que a vida continuou: pessoas que eram amigas deixaram de o ser, quem não o era agora está mais próximo, começaram-se namoros, acabaram-se namoros, e são raras as pessoas que se mantêm exactamente como eu as deixei (ou como me lembro delas). Também já não somos tão voláteis e já não choramos por uma paixoneta num dia que no outro já passou. O tempo passou e parecendo que não, quando se gosta de alguém isso já não se ultrapassa de um dia para o outro e não basta uma conversa e uma saída com amigos para tirar as coisas da cabeça. 

Ontem o meu primo perguntou-me como se esquece alguém que foi tão importante para nós. E eu queria dar-lhe uma resposta inteligente, ou até parva que o fizesse rir, mas quando olhei para ele não consegui dizer nada. Primeiro porque nem eu sei o que isso é por experiência própria. Segundo, porque não sei a resposta e nenhuma tentativa de adivinhação parecia chegar lá perto.