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Factos (pouco) interessantes


Há pessoas que têm problemas com travessões (ou ganchos, ou bobby pins): estão sempre a comprá-los e quando é preciso nunca encontram nenhum, como se fossem recolhidos por um buraco negro todas as noites. Também tenho esse problema, tanto que já me habituei a procurá-los não na gaveta onde deveriam estar, mas sim em bolsos de casacos, na minha carteira, até naqueles arrumos de lado nos carros onde ando. 

O pior é que este fenómeno estende-se, para mim, ao nível das canetas bic. São as melhores canetas de sempre para escrever (quem não gosta é um ovo podre) e eu compro daquilo em packs de seis ou mais porque são as minhas canetas preferidas e porque nunca encontro uma quando preciso. Devo ter mais de vinte canetas bic azuis espalhadas pela casa casa, e ainda no outro dia reparei que pelo menos dois colegas meus tinham também canetas bic dadas por mim, no entanto continuo a cometer o erro crasso de andar sempre só com UMA caneta bic no estojo, e muitas vezes ZERO perdidas na mala quando preciso. Isto é um flagelo. Acho que vou começar a espalhar as que tenho por todas as malas que uso (que são só duas, por isso nem há desculpa), por todas as divisões da casa, nos carros em que ando, enfim, por todo o lado como quem borrifa perfume.

permanent decisions

Gosto de tatuagens, mas não tenho nenhuma e não sei se terei num futuro próximo. Primeiro, porque tenho tolerância a níveis negativos em relação à dor. Depois porque, pessoalmente, não gosto de ver tatuagens disposta de maneira random pelo corpo e sem ligação temática umas com as outras. Do género, um golfinho azul na barriga, uma lua a b&w no ombro e uma borboleta no fundo das costas. Para fazer uma tatuagem ou ficava apenas por uma, ou  teria que pensar se as próximas fariam sentido e se estariam todas dentro do mesmo género. A juntar a isso existe ainda a pergunta fatídica: ainda vai fazer sentido daqui a uns anos? Vou gostar de envelhecer e ter algo permanentemente escrito na minha pele? Don't know. Por agora vou apenas apreciando alguns trabalhos e tipos de tatuagens como as da HeyClaire ou da Beautycrush.

Claire Marshall

ficaste bem nesta fotografia

No outro dia li algo que me fez realmente olhar para o tema da fotogenia com outros olhos. Mas antes, uma pequena introdução. Sabem quando vos dizem alguma coisa e vocês pensam, "ohhh, que simpático que este ser está hoje... waaait a minute? Isso era um elogio ou era uma piada tão bem encapsulada que nem me apercebi?". É disso que se trata. Faz-me lembrar quando estava na praia, em miúda, e o senhor das bolas de berlim às tantas dizia "Quem é que me chamou parvo?". Não me perguntem, também não sei porque raio dizia isto. Mas uma vez, quanto o senhor voltou a repetir a frase, o meu pai disse-me "vês, está a chamar-nos parvos a todos, ora ouve, quem é que me chamou (pausa) PARVO?". E pronto, a partir daí fiquei sempre neste dilema, era um insulto a toda a gente na praia da Rocha ou o senhor estava apenas a ser engraçado?

O mesmo acontece quando nos dizem "És tão fotogénica!". Ficamos logo, oh stooop, não fiquei nada. Mas eis que começo a pensar “Fiquei bem nesta fotografia? Isso é que admirar? Quer dizer que, ao vivo, I'm ugly as hell?”. Pronto, agora vão também ter second thoughts como eu sempre que alguém disser que são fotogénicos. E se ouvirem alguém elogiar outra pessoa desta forma, também vão esboçar um sorriso cúmplice “I see what you did there”. Bem, pontos positivos. Uma pessoa fotogénica, no sentido do insulto, ao menos nas fotografias que um dia mostrar aos netos pode dizer, "vêm como éramos precisos netinhos, que lindos que éramos". Afinal, são as fotografias que perduram. Para os que não têm essa característica, não há como desanimar, ao menos pode ser só nas fotografias que não ficam bem.  

pintar com trincha


Já aqui falei dos meus desastres com eyeliner e maquilhagem em geral. So, here's another one. Pintar as unhas sem parecer que o pincel que usei foi uma trincha de parede. Não consigo, a sério. E não é só na mão esquerda que pinto não só a unha, como toda a pele na fronteira. É daqueles casos que nem a desculpa de ser destra posso usar. Enfim, em miúda devo ter faltado às aulas da pré-primária onde se aprendia a pintar sem sair do risco, de certeza.

they're sisters, not twins

Outra coisa que me acontece em relação à maquilhagem (só mais esta, depois calo-me, juro) é a minha falta de jeito para a simetria. E isto manifesta-se quando estou a delinear os olhos (sem aquela ponta do cateye, que isso ainda era mais difícil) para o qual sigo o seguinte processo: 1. Faço num olho, fica aceitável; 2. Tento repetir no outro, e já faço um risco mais largo porque me engano; 3. Tenho que voltar ao primeiro olho para corrigir, mas também não fica com a forma igual ao outro; 4. De volta ao segundo olho, continuo a tentar fazer igual ao outro, mas nunca fica; 5. Ando nisto até ficar sem tempo ou desistir e olha, vai assim.

Claro que, volta e meia, nota-se que não está bem igual. Principalmente se alguém ficar muito tempo a olhar, então há um amigo meu que se sai com um "olha o da direita está um bocado mais grosso do que o da esquerda". Mas eu já estou preparada e respondo "é suposto serem irmãos, não gémeos!". O que o fez rebolar-se a rir, não percebo porquê. 

Gostava de reclamar a autoria nesta desculpa, mas a verdade é que repeti o que já tinha ouvido por aí num tutorial sobre como fazer as sobrancelhas: não é suposto ficarem 100% iguais, porque se começamos a tirar de um lado e do outro à procura de simetria, no final parecemos a Elfie. Assim simples, sisters not twins.

E ainda eu não me aventuro no respeitável mundo do delinear as sobrancelhas, ou do blush e contornos da face. Aí sim, poderia dizer que não me decidi de manhã e fiz duas makeup's diferentes em cada metade da cara. 


Damn you Laurenzinha, "olhem para mim só com uma mão".

(mini) ataque de pânico


Não uso maquilhagem todos os dias , mas de vez em quando acordo de manhã e apetece-me perder tempo com essas coisas. Exactamente por não usar frequentemente, às vezes esqueço-me que tenho eyeliner ou máscara e esfrego os olhos, só dando conta do estrago quando reparo que a minha mão tem uns inexplicáveis riscos negros (se alguém perguntar o que aconteceu ao meu olho borrado, respondo que quis fazer um smokey eye, e se isso não resultar digo que sou um panda fofinho, pode ser que passe).

Por isto já ter acontecido algumas vezes, agora também sofro do efeito contrário: esfregar os olhos quando não tenho maquilhagem, ter um mini ataque de pânico "damn it happened again!" e logo a seguir o alívio quando me lembro que não tenho nada. Como é linda a vida de gaja.

never trust a hairstylist


Até consigo perceber que a minha cabeleireira e eu tenhamos diferentes perspectivas sobre os centímetros que são aceitáveis cortar num cabelo comprido. Mas se há coisa que odeio ver em mim é cabelo "escadeado". Não, num cabelo que fica ondulado - sim, nem encaracolado, nem liso, é mesmo com uns jeitos esquisitos - o escadeado faz lembrar o cabelo da Fátima Lopes nos anos 90, curto à frente e comprido atrás. Está bem, não tão exagerado, mas mais assim. Não gosto, não consigo fazer tranças bonitas, nem rabo de cavalo (ficam sempre uns rebeldes a apontar em todas as direcções), não me dá jeito.
Sabendo isto tudo, só de ouvir a palavra "escadeado" com uma tesoura perto do meu cabelo, devia soar uma espécie de alarme. Mas quando a cabeleireira me disse "ah é só para cortar a direito!? E um escadeado nas pontas?", encolhi os ombros. Ora toma, ficas a saber que as pontas, num cabelo deste comprimento é mais ou menos ao nível do queixo. Enfim, agora que o mal está feito, que se lixe, não quero saber do meu cabelo até que cresca outra vez. Posso sempre adoptar um novo slogan super original: layered hair, i don't care.

como é que se diz ADOROO O IKEA! em sueco?

Hoje foi dia de ir ao IKEA, não que precisasse de alguma coisa em especial, mas há sempre desculpas que arranjo a mim própria como "já não tenho velas" ou "preciso de um candeeiro, vamos ver se existe lá". Mas ao contrário das pessoas normais que costumam comprar algo útil como mobiliário e afins (o que é o objectivo), o mais comum para mim é sair de lá com as coisas mais random de sempre. Hoje não foi excepção: uma moldura, (mais) velas, um copo, um frasco e... palhinhas. Bem, tenho desculpa se disser que não se encontram palhinhas largas e compridas muito facilmente ou continua a ser parvo?

Para não falar do meu lado creepy no que diz respeito a velas: cheirar todas e mais algumas enquanto descrevo o que isso me faz lembrar: "esta cheira a inverno", "cheira a maçã daquela que costumamos pôr na massa" ou "humm, gelado de baunilha com canela".

Mais uma coisa, podiam passar só músicas dos ABBA o dia inteiro? Olhem, eu gostava. Durante o tempo que lá estive só ouvi a "say i dooo, i do, i do, i do, ido, idoooo" e só me lembrava do Pierce Brosnen a assassiná-la cantá-la no Mama Mia.