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sim, era eu

Se viram esta semana uma maluquinha à frente de uma livraria com um livro na mão a dar saltinhos histéricos e a dizer "encontrei, encontrei, encontreeeii", não se apoquentem que fora estes ataques costumo ser uma pessoa normal. Ah, não me julguem também, porque o motivo é bom: encontrei um livro em segunda mão que já queria ler há muito tempo. E fico contente com estas coisas porque a) LIVROOOSSS b) livros a um bom preço c) livros que provavelmente têm uma dedicatória com a qual me vou rir imenso (ou ficar triste porque damn, como é que um livro dado por uma pessoa que se deu ao trabalho de escrever uma dedicatória assim está aqui?). 

Para além de encontrar um dos que mais queria ler (Não Matem a Cotovia) ainda havia uma espécie de desconto em que quantos mais livros se trouxesse, mais barato ficava individualmente. Ou seja, desculpas para trazer mais livros. Contudo, fui uma boa leitora (e não trouxe todos os livros bons, deixei alguns para os outros) e a contagem final foi de cinco livros, sendo que dois deles nunca lhes vou pegar pois são livros sobre carros (boriiing) e os outros três são: As Brumas de Avalon, O diário Secreto de Adrien Mole aos 13 anos e 3/4 e o Não Matem a Cotovia. A vontade era começar a ler tudo ao mesmo tempo, mas por agora estou a acabar o 1984. Só falta encontrar o Catcher in the Rye para completar a lista dos livros que mais queria ter por agora.

já ia dizer mal, mas depois pensei melhor



Quando me falam em audiobooks, parte do meu cérebro responde "that is sooo stupid", mas pensando bem, é mesmo? Quando somos pequenos e antes de sabermos ler, também o fazem por nós, da mesma maneira que ouvimos as histórias que os avós ou os pais contam de cor. Não ficamos a saber a história na mesma, não conseguimos igualmente imaginar por nós os cenários e as personagens? Para quem tem problemas de visão, poderá também ser muito útil. E o facto de cada vez mais, as pessoas em geral, aderirem a esse tipo de leitura faz com que haja mais livros disponíveis neste formado, o que é especialmente importante para o grupo de pessoas que referi, I guess. 

Se contam como leitura? Bem, isto não é uma corrida, e não somos crianças para andar a contar quem lê mais ou menos. Acho que é uma discussão tão válida como quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo. Afinal, uma história, seja escrita ou ouvida, não é sempre a mesma? O que muda não é apenas o meio?

Pessoalmente, embora já tinha lido dois ou três livros em formato digital, não me vejo a preferir alguma vez um livro físico ao e-book, quanto mais uma audição em vez da leitura. Mas tudo isso pelos mesmos motivos pelos quais existem pessoas que têm uma colecção enorme de dvds ou cds: posso chegar à prateleira, olhar para o que tenho e escolher um para ler, sem ter que procurar nas mil e quinhentas pastas no computador. Da mesma maneira que gosto dos vinis que o meu pai ainda conserva. Claro que posso ouvir as músicas que eles contêm através de numa pesquisa rápida no youtube, mas bem, não é a mesma coisa. Ter um livro de que goste no formato físico é satisfatório, pelo menos para mim. E não conseguiria ouvi-lo da mesma maneira que o leio, porque não estou habituada a isso. Ia distrair-me a olhar não sei para quê, não ia conseguir estar quieta num canto apenas a absorver o livro, porque simplesmente não tenho a skill da audição apurada para isso. Da mesma maneira que acho os e-books bons para ler livros que não estou interessada em ter, ou não sei se valem a pena ter, os audiobooks também devem ser usados para quem lhes encontre alguma utilidade. Inclusive, alguns livros em formato áudio são narrados pelo autor do mesmo, o que até deve ser giro de ouvir.

one does not simply watch the movie before reading the book

Sou aquele tipo de pessoa que não vê um filme ou série - baseada num livro que queira ler - antes de ler esse mesmo livro. Nunca. Jamais. E amaldiçoo o dia em que isso acontecer (ok, já aconteceu, but i learn from my mistakes!). Para mim nada substitui aquela primeira leitura, em que se imaginam os lugares, as personagens, e até a história em si, de uma diferente do que aquela que, provávelmente, o filme mostra. E para além disso, também existe a vertente "spoiler". Se vir o filme ou série primeiro, já sei o que vai acontecer no resto do livro. E vai ser uma seca, porque não vou ficar naquela espectativa de querer saber o final e de não conseguir largar o livro, nem mesmo quando estou a jantar ou se, por acaso, até deveria estar a dormir. 

O filme antes do livro estraga-me a vontade de ler. Mesmo que depois digam, "o livro explica muito mais coisas" ou "vale a pena ler o livro, apesar de já saberes o final, porque há coisas que são diferentes" não vai ser a mesma coisa, por isso não me chateiem. Eu vejo o Game of Thrones quando tiver despachado os livros (e estive a contá-los hoje, são uns 10, por isso a minha previsão é que ainda será um processo demorado) e também não vejo Maze Runners sem ter lido sequer o primeiro livro (que está em espera a seguir aos 10 livros anunciados anteriormente). Eu sei, um bocado esquisitinha. Mas levo as leituras muito a sério. 


Goodreads


Desde Agosto que uso o Goodreads para assinalar os livros que estou a ler, os que já li e para receber sugestões sobre o que ler a seguir, baseadas nos meus interesses e historial literário. Já conhecia o site mas nunca tinha tido a preocupação de o usar como deve ser. Mas como este ano tenho comprado alguns livros - e como fico mesmo, mesmoooo lixada quando invisto num que depois acaba por não ser nada de jeito - tenho aproveitado as sugestões e lido algumas reviews para fazer uma espécie de lista dos livros a ler/ter e que em princípio hei-de gostar.
Os livros que comprei foram maioritáriamente em segunda mão, em feiras do livro ou alfarrabistas, já que não acho que compense comprar livros novos quando os mesmos em segunda mão estão em óptimo estado e a um preço bem mais reduzido (o que para mim se traduz em "mais dinheiro sobra para comprar outros livros"). Os próximos a procurar são então 1984, The Catcher in the Rye e To kill a Mockingbird.

(já agora, se conhecerem alfarrabistas na zona de Lisboa, ou até bibliotecas giras para visitar, please let me now)

10 points to Gryffindor

Hoje alguém me perguntou que filmes do Harry Potter, uma pessoa que nunca viu nenhum, devia ver. Resisti ao impulso de responder logo "NENHUM, deviam ler os livros primeiro" ou "TODOS, são todos importantes e é a melhor série de filmes de sempre" e disse que a Pedra Filosofal era o clássico mas que para mim o mais interessante foi o Prisioneiro de Azkaban. Ao que a mesma pessoa respondeu que não, era só preciso ver o segundo, o quinto, o sexto e o último para perceber a parte dos Horcruxes, que é o mais importante. 

What? Então e toda a história da amizade entre o Ron, a Hermione e o Harry? E as equipas, Hogwarts, e até Privet Drive? E o exército de Dumbledore e todas as lutas contra quem defendia o "sangue puro" e a soberania sobre os Muggles? E o Snape e o maior plot twist de sempre? I isto é só o que me lembro por alto. Mas não, o que importa é saber como é que o Voldemort ficou imortal e como se acaba de vez com ele. Fora isso não há nada de importante a reter.


(wtf, e quem é que se lembraria de falar disto, do nada, a meio de uma aula algo assim em jeito de pergunta rectórica)